Eu, realmente, não estava preparada para me despedir dela. Minha tia Zélia, é uma pessoa
muito especial pra mim. Apesar de tê-la conhecido um dia desses, ela é uma das pessoas à quem mais tenho apreço. Se passo por uma dificuldade, alguma dúvida ou qualquer empecilho, sempre penso nela. É como se ela fosse um tipo de guru, sabe?
Ela é muito diferente das minhas outras tias. Acho que é porque ela cresceu (no sentido mais abstrato da palavra) distante das demais. Quando muito jovem, ela teve que sair de casa por conta dos abusos do 2º marido da minha vó (mãe dela). Segundo ela, ele era extremamente arrogante e ignorante. Eu acredito nisso porque já ouvi várias histórias sobre ele e nenhuma delas foi boa. Ela já morou em vários lugares do Brasil, dentre esses, Salvador, Rio de janeiro e agora mora em São Paulo. O que me causa uma grande dor. São Paulo é tão longe daqui, o que torna tudo tão mais difícil.
O carinho que sinto por ela, eu sinto por poucas pessoas. É um sentimento materno de confiança, de precisar só daquele abraço, só daquele sorriso, enfim, só de estar perto, já uma grande alegria pra mim.
Eu conheci tia Zélia quando tinha 13 anos, na época eu era mais retraída, não gostava de falar, nem sorrir muito (não que agora eu goste, mas é que aprendi a ser atriz), então acabei dando pouca importância pra presença dela aqui.
Da outra vez que ela veio, aí sim! Foi quando a coisa foi fluindo, do nada. Ela precisou aparecer por aqui por que minha avó sofreu um acidente doméstico e fraturou o fêmur em dois lugares e todo mundo achou que ela não ia resistir e então minha tia achou melhor vim e ajudar. Durante essa (pequena) temporada nós pudemos nos conhecer melhor. Eu fui perceber que achava ela legal numa certa noite em que nós ficamos até tarde no computador olhando uns slides e fotos de viagens dela e... adivinha! Assim como com as melhores pessoas que já conheci na vida, o nosso elo foi selado por conta da arte e do bom gosto intelectual. Ela teve que voltar pra casa e eu comecei a sentir uma saudade dela, uma necessidade de conversar com ela e dos conselhos e compreensão...eu me apaixonei por ela (entendam bem o sentido puro e doce do termo).
Meu irmão anunciou o casamento dele com a Lorena. E, é claro, tia Zélia foi convidada, e, é claro, confirmou presença. Desde então, meu coração não se agüentava de tanta ansiedade. Eu conversava com ela pela internet, novamente, pedindo ajuda moral e tudo mais. Ela me dava uma palavra de força e dizia: “Fique calma! Quando eu chegar aí, conversaremos.” Ela veio. Acompanhada. E não foi nada do que pensei.
Tinha planejado levar ela pra conhecer uns amigos, o Eliakin, a Euterpe e outros cantores daqui . Tudo por água a baixo. Como ela veio acompanhada com uma amiga (alienada por índios )que queria se enfiar em tudo quanto é buraco que tivesse mato e índio, logo, elas, consequentemente, acabaram tomando um rumo diferente. Houveram dias em que eu nem conseguia ver tia Zélia por conta desses passeios. Enquanto elas e minha mãe passeavam, lá estava eu, na loja, trabalhando e emburrada, chateada e deprimida. Mas ainda sim eu gostei de sentir que minha tia estava por perto.
Mas, o mais difícil de tudo foi me despedir dela. Hahahaha, eu prometi pra mim mesma que não haveriam lágrimas, nem melancolia...claramente expressada. “Adeus, tia.” O travesseiro me consolou a noite inteira...e fez questão de me lembrar de cada momento com ela. O resultado: acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça insuportável e olheiras assustadoras. Mau-humor? Nem se fala!
E o pior, estava por vim. Depois que ela partiu, eu tive uma sensação de que a cidade estava vazia, que nada nesse lugar me esperava, não havia mais motivos pra ansiedade...ainda hoje tenho esses lapsos quando lembro dela.
Ah! Uma coisa que me deixou extremamente intrigada foi que no penúltimo dia dela aqui, ela passou mal, repentinamente. Todos me falaram que foi uma queda de pressão ou algo que ela comeu e não fez bem. Mas, eu já a conhecia o suficiente pra saber que alguma coisa havia chateado ela. Logo descobri, minha mãe me contou depois de muita insistência minha. Não sei se gostei de saber do que soube, pois me preocupei muito (ainda me preocupo). Odeio macumbeiro( que acha que sabe do futuro de alguém).
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