sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Surto Poético (e patético)


Esses dias eu andava meio assustada. Estava encabulada porque havia algumas semanas que eu não escrevia nada – quando digo ESCREVER, me refiro a poesia. Não tinha disposição, não vinha sequer um versinho.  Tudo culpa do professor Lázaro(de literatura). Antes eu fazia poesia porque entendia do assunto e tirava a maior onda. Quando, em certa aula, ele disse bem assim: “ Quando você for escrever, prezadinho, escreva com o coração. Porque a partir do momento que você SENTIR, não existem barreiras que te impeçam de chegar a perfeição...seja em matéria de poesia, de redação, dissertação...SINTA!”
Foi a partir daí que decidi que nunca mais escreveria sem sentir, nunca mais esnobaria ninguém com a minha, até então sapiência, em matéria de poesia. Não sei se fiz certo. Depois daí, aprendi a escrever sentimentos, meus sentimentos (e os dos outros também, tenho essa péssima mania de tomar dores). Só escrevia o que sentia e nada mais. A principio, estava tudo lindo, eu me sentia leve feito pena que é levada pela brisa.
Em um belo dia (mentira! Se o dia fosse belo eu não tinha gastado tempo com isso),  resolvi fazer comparações. Quase surtei ao ver que a qualidade do que eu escrevia entrava em declínio, segundo meu conceitos (sou muito crítica em relação a poesia). Eu não conseguia a admitir que escrevia aquilo, aquela....escoria de poesia. Até que certa vez, um amigo leu um papel avulso (depois que comecei a escrever “com sentimentos”, virei uma poetisa compulsiva, não podia ver um pedaço de papel que já inventava um verso)  que estava no meio das minhas coisas e ficou lisergiado com aquele poema. “é sério? Você escreve poesia? Haha, eu pensei que só soubesse de fórmulas de concentração química!” 
Graças a ele, eu fui tentando olhar tudo com outros olhos. Com olhares mais mornos e abstratos. Minha atenção, agora, é no sentimento de quem escreveu e não na métrica mal feita.
Cecília, Manuel ... olhem o que fizeram comigo. Quase me tornei uma maníaca criticadora de poesia. Eu leio Cecília Meirelles e Manuel Bandeira  desde os sete anos. São minha mãe e pai adotivos. Eu adotei.

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