Esses dias eu andava meio
assustada. Estava encabulada porque havia algumas semanas que eu não escrevia
nada – quando digo ESCREVER, me refiro a poesia. Não tinha disposição, não
vinha sequer um versinho. Tudo culpa do
professor Lázaro(de literatura). Antes eu fazia poesia porque entendia do
assunto e tirava a maior onda. Quando, em certa aula, ele disse bem assim: “
Quando você for escrever, prezadinho, escreva com o coração. Porque a partir do
momento que você SENTIR, não existem barreiras que te impeçam de chegar a
perfeição...seja em matéria de poesia, de redação, dissertação...SINTA!”
Foi a partir daí que decidi que
nunca mais escreveria sem sentir, nunca mais esnobaria ninguém com a minha, até
então sapiência, em matéria de poesia. Não sei se fiz certo. Depois daí,
aprendi a escrever sentimentos, meus sentimentos (e os dos outros também, tenho
essa péssima mania de tomar dores). Só escrevia o que sentia e nada mais. A
principio, estava tudo lindo, eu me sentia leve feito pena que é levada pela
brisa.
Em um belo dia (mentira! Se o dia
fosse belo eu não tinha gastado tempo com isso), resolvi fazer comparações. Quase surtei ao
ver que a qualidade do que eu escrevia entrava em declínio, segundo meu
conceitos (sou muito crítica em relação a poesia). Eu não conseguia a admitir
que escrevia aquilo, aquela....escoria de poesia. Até que certa vez, um amigo
leu um papel avulso (depois que comecei a escrever “com sentimentos”, virei uma
poetisa compulsiva, não podia ver um pedaço de papel que já inventava um verso) que estava no meio das minhas coisas e ficou
lisergiado com aquele poema. “é sério? Você escreve poesia? Haha, eu pensei que
só soubesse de fórmulas de concentração química!”
Graças a ele, eu fui tentando
olhar tudo com outros olhos. Com olhares mais mornos e abstratos. Minha
atenção, agora, é no sentimento de quem escreveu e não na métrica mal feita.
Cecília, Manuel ... olhem o que
fizeram comigo. Quase me tornei uma maníaca criticadora de poesia. Eu leio
Cecília Meirelles e Manuel Bandeira desde
os sete anos. São minha mãe e pai adotivos. Eu adotei.

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